Acilada
Andar por aí pelas ruas e pelas pontes.
Perder a cabeça em alguma esquina.
Esquecer de ver o pôr do sol.
Assobiar a noite canções antigas. Aquele samba antigo do tempo que havia muitos rios pela cidade e o povo tomava banho e comia farofa aos domingos. Do tempo em que a estátua ainda era gente e não sabia.
Andar distante. Esquecendo nomes. Esquecendo de dormir.
A lua na cidade se reflete na poça d'água. Água vermelha do farol fechado.
Andar por aí na contra mão. Sem ter por onde ir. Por onde andar. Nem os cachorros me seguem nessa encruzilhada.
Passo o tempo chutando lata. Chupando lágrimas. Comendo as horas que faltam.
Nesse dia longo, minhas roupas velhas não mentem, sei que sou farrapo.
Não deixo rastro. Não planto nem pé de mato.
Ando sem os sapatos, sentindo o frio da noite e mentindo pra mim mesmo. Fingindo ser um otário.
Caminhando na calçada deserta acho que estou no centro. Acho que sou o centro. Acho que vou morrer por aqui.
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Gostei, Caroleta! Venho aqui te visitar mais vezes!
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