domingo, 13 de outubro de 2013

Aquela carta que eu não escrevi

Aquela carta que eu não escrevi
Não falava de amor
não falava de vc

Aquela carta que eu não escrevi
Porque não tinha nada para escrever
Hoje eu sei
Dizia o que eu não queria dizer

Pedaços de letras no papel
A caneta escorrendo seu sangue azul
o papel cheio de linhas retas
Azuis

Escrever como meditar
Cantar é sempre mais fácil

Esconder papel e lápis
Borrachas e canetas

Estender os dedos sobre os teclados
E lembrar daquilo que não deveria ser dito

Escrever como quem paga promessas
Sem pressa
Sem precissão
Escrever não é precisso

Isso, aquilo e aquilo outro
Versos, rimas e liras

Escrever como quem faz de conta que sabe escrever

Palavras ao léu, só palavras
Enquanto ainda é permitido
Rabiscarei qualquer branco braço de papel almaço

Aquela carta que não escrevi
Não falava de mim pra você
Não amontoava dúvidas nem culpas

Aquela carta, essa carta
De nada adianta falar
Tudo parece tão em vão..

Uma letra depois da outra
Espaços vazios sem você

Aquela carta impressa
Já não te interessa
Rimas feitas
Rezas

Aquela carta, essa carta
De nada trata
De nada

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