Aquela carta que eu não escrevi
Não falava de amor
não falava de vc
Aquela carta que eu não escrevi
Porque não tinha nada para escrever
Hoje eu sei
Dizia o que eu não queria dizer
Pedaços de letras no papel
A caneta escorrendo seu sangue azul
o papel cheio de linhas retas
Azuis
Escrever como meditar
Cantar é sempre mais fácil
Esconder papel e lápis
Borrachas e canetas
Estender os dedos sobre os teclados
E lembrar daquilo que não deveria ser dito
Escrever como quem paga promessas
Sem pressa
Sem precissão
Escrever não é precisso
Isso, aquilo e aquilo outro
Versos, rimas e liras
Escrever como quem faz de conta que sabe escrever
Palavras ao léu, só palavras
Enquanto ainda é permitido
Rabiscarei qualquer branco braço de papel almaço
Aquela carta que não escrevi
Não falava de mim pra você
Não amontoava dúvidas nem culpas
Aquela carta, essa carta
De nada adianta falar
Tudo parece tão em vão..
Uma letra depois da outra
Espaços vazios sem você
Aquela carta impressa
Já não te interessa
Rimas feitas
Rezas
Aquela carta, essa carta
De nada trata
De nada
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